O fim das senhas está mais próximo? Entenda como funcionam as Passkeys

O fim das senhas está mais próximo? Entenda como funcionam as Passkeys

Durante décadas, a senha foi a principal forma de proteger o acesso a e-mails, computadores, sistemas e informações corporativas.

Criamos senhas maiores, adicionamos números, caracteres especiais e passamos a utilizar uma senha diferente para cada serviço. Depois, veio a autenticação multifator, adicionando uma segunda confirmação de identidade.

Agora, uma nova mudança está ganhando espaço: as Passkeys, também chamadas de chaves de acesso.

Empresas como Microsoft, Google e Apple vêm adotando essa tecnologia como uma alternativa mais simples e, principalmente, mais segura às tradicionais combinações de usuário e senha.

Mas afinal, o que é uma Passkey e por que ela pode mudar a maneira como acessamos nossas contas?

O problema das senhas tradicionais

Mesmo com todas as recomendações de segurança, as senhas continuam sendo um dos principais pontos explorados por criminosos digitais.

Entre os problemas mais comuns estão senhas fáceis de descobrir, reutilização da mesma senha em vários serviços, vazamentos de credenciais e ataques de phishing.

Um usuário pode receber, por exemplo, um e-mail aparentemente legítimo solicitando acesso ao Microsoft 365.

Ao clicar no link, encontra uma página praticamente idêntica à página verdadeira de login. Sem perceber o golpe, informa seu usuário e sua senha.

Pronto: o criminoso acaba de obter suas credenciais.

Foi justamente para reduzir esse tipo de risco que surgiram tecnologias de autenticação mais modernas.

O que são Passkeys?

Uma Passkey é uma credencial digital utilizada para comprovar a identidade do usuário sem depender da digitação de uma senha tradicional.

Ela utiliza criptografia para criar uma relação segura entre o dispositivo do usuário e o serviço que está sendo acessado.

Na prática, o usuário pode confirmar sua identidade utilizando recursos que já fazem parte de seu dispositivo, como:

  • reconhecimento facial;
  • impressão digital;
  • PIN do dispositivo;
  • aplicativo autenticador;
  • chave física de segurança.

O objetivo é tornar o acesso mais simples para o usuário e, ao mesmo tempo, muito mais difícil de ser explorado por criminosos.

Por que uma Passkey é diferente de uma senha?

Uma senha é uma informação que você conhece.

Por isso, ela pode ser digitada, compartilhada, descoberta ou roubada.

Uma Passkey funciona de maneira diferente.

Ela utiliza um sistema de criptografia no qual uma parte da credencial permanece protegida no dispositivo do usuário e outra parte é utilizada pelo serviço para validar a autenticação.

A credencial completa não precisa ser transmitida durante o login.

Isso reduz significativamente a possibilidade de alguém simplesmente descobrir ou capturar aquilo que seria necessário para entrar na conta.

E como isso ajuda contra phishing?

Essa é uma das principais vantagens das Passkeys.

Em um ataque tradicional de phishing, o criminoso tenta convencer o usuário a fornecer sua senha em uma página falsa.

Com uma Passkey baseada nos padrões modernos de autenticação, a credencial está vinculada ao serviço legítimo para o qual foi criada.

Isso dificulta que uma página falsa simplesmente capture a informação e a reutilize posteriormente.

Por esse motivo, métodos baseados em Passkeys e padrões como FIDO2 são considerados muito mais resistentes a phishing do que senhas e códigos recebidos por SMS.

Isso significa que as senhas vão desaparecer?

Não imediatamente.

As senhas ainda continuarão fazendo parte de muitos sistemas durante bastante tempo.

O que estamos vendo é uma transição gradual para um modelo com menor dependência de senhas.

Podemos imaginar essa evolução de maneira simples:

Senha → Senha + MFA → Autenticação sem senha → Passkeys

O objetivo não é apenas facilitar o login.

É reduzir a quantidade de situações em que uma informação que pode ser roubada ou compartilhada é suficiente para acessar uma conta.

E onde entra o Microsoft Authenticator?

Para empresas que utilizam o Microsoft 365, o Microsoft Authenticator faz parte dessa evolução dos métodos de autenticação.

O aplicativo pode ser utilizado para autenticação multifator e também pode participar de experiências de autenticação sem senha e Passkeys, dependendo das configurações adotadas pela organização.

Isso permite que empresas modernizem gradualmente a maneira como seus usuários acessam e-mails, documentos e demais recursos corporativos.

A Microsoft vem incentivando cada vez mais a adoção de métodos resistentes a phishing dentro do Microsoft Entra ID.

Mais segurança não significa necessariamente mais dificuldade

Existe uma percepção comum de que aumentar a segurança sempre torna o acesso mais complicado.

Com as Passkeys, a proposta é justamente aproximar segurança e facilidade de uso.

Em vez de lembrar uma senha complexa e depois informar um código recebido por outro meio, o usuário pode, dependendo da configuração, confirmar sua identidade utilizando biometria, PIN ou outro método protegido pelo próprio dispositivo.

Para o usuário, o processo pode ficar mais simples.

Para a empresa, a autenticação se torna mais resistente a diversos tipos de ataques.

Sua empresa está preparada para essa mudança?

A adoção de novas tecnologias de autenticação não deve acontecer sem planejamento.

Antes de realizar alterações, é importante conhecer o ambiente da empresa, identificar os métodos atualmente utilizados, avaliar os dispositivos dos usuários e definir uma estratégia de migração.

Também é fundamental orientar os colaboradores.

Grande parte dos problemas relacionados à autenticação acontece quando uma mudança técnica é realizada sem que os usuários entendam o que mudou ou como devem proceder.

Tecnologia, segurança e orientação precisam caminhar juntas.

O futuro da autenticação já começou

Passkeys não são apenas uma nova maneira de fazer login.

Elas fazem parte de uma mudança maior na segurança digital: diminuir a dependência de credenciais que podem ser roubadas, compartilhadas ou utilizadas em ataques de phishing.

À medida que Microsoft e outras grandes empresas de tecnologia ampliam o suporte a esse modelo, é provável que as chaves de acesso façam cada vez mais parte da rotina de usuários e empresas.

Para as organizações, o melhor caminho é acompanhar essa evolução e preparar seus ambientes gradualmente.